O Governo de Moçambique avançou com o lançamento de um concurso público internacional para a concessão dos terminais de contentores e carga geral do Porto de Nacala, num movimento que marca um novo ciclo na estratégia logística nacional e na aposta na integração regional.
A iniciativa insere-se no Plano Integrado de Expansão e Desenvolvimento do porto e prevê a participação do sector privado na operação, gestão, manutenção e investimento nos terminais, através de um modelo de concessão de longo prazo.
Porto estratégico entra em nova fase de gestão privada
O Porto de Nacala é considerado uma infra-estrutura estratégica para a África Austral, graças às suas águas profundas naturais e à ligação directa ao Corredor de Nacala, que serve países do hinterland como Malawi e Zâmbia.
Com profundidades superiores a 14 metros e capacidade para receber navios de grande porte, o porto destaca-se pela sua vantagem competitiva, reduzindo a necessidade de dragagem e melhorando a eficiência operacional.
Modelo de concessão aposta em investimento privado
O projecto será estruturado sob o modelo Reabilitar-Operar-Transferir (ROT), que procura atrair capital privado e know-how internacional, mantendo o Estado como entidade reguladora e supervisora da infra-estrutura.
O objectivo central é modernizar os terminais existentes e reforçar a integração com o sistema ferroviário do Corredor de Nacala, promovendo uma cadeia logística mais eficiente e interligada.
Integração multimodal e expansão da capacidade logística
A concessão poderá incluir investimentos adicionais em infra-estruturas de suporte, como terminais secos e plataformas logísticas, reforçando a capacidade do porto para responder ao crescimento do comércio regional.
A estratégia visa transformar o Porto de Nacala num hub logístico integrado, capaz de captar fluxos de carga regionais e internacionais, num contexto de crescente competitividade das cadeias de abastecimento.
Processo competitivo em duas fases
O concurso internacional será conduzido em duas etapas: uma pré-qualificação baseada na capacidade técnica, financeira e experiência dos operadores, seguida da avaliação de propostas técnicas e financeiras.
O Governo pretende atrair operadores globais com experiência comprovada na gestão de terminais portuários, garantindo elevados padrões de eficiência, governação e sustentabilidade.
Um passo decisivo na estratégia logística nacional
O lançamento desta concessão ocorre num momento em que Moçambique reforça a sua ambição de se afirmar como plataforma logística regional, tirando partido da sua localização geoestratégica e dos corredores de transporte existentes.
O desafio será garantir a execução efectiva do projecto, traduzindo o potencial do Porto de Nacala em ganhos concretos de eficiência, redução de custos logísticos e maior competitividade da economia nacional.
Fonte: O.E