O Governo de Moçambique está a avaliar a possibilidade de intervir na economia para mitigar os impactos da actual conjuntura internacional e dos efeitos das cheias no país, segundo declarou hoje no Parlamento a primeira-ministra Benvinda Levi.
Durante a sua intervenção na Assembleia da República, em Maputo, a governante afirmou que o Executivo está a acompanhar “atentamente a conjuntura interna e externa”, incluindo os impactos das chuvas intensas em Moçambique e a guerra no Médio Oriente.
Tensões internacionais aumentam incerteza económica
Segundo o Governo, o agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente e a instabilidade nas rotas estratégicas de navegação representam factores adicionais de incerteza para a economia global, com possíveis efeitos sobre os mercados de energia e cadeias logísticas internacionais.
Estas dinâmicas, sublinhou o Executivo, podem influenciar directamente o desempenho económico de países importadores de combustíveis, como Moçambique.
Choques internos pressionam produção e infra-estruturas
No plano interno, o país enfrenta danos significativos provocados pela actual época chuvosa, que já resultou em 270 mortes e afecta centenas de milhares de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres.
As inundações têm causado impactos profundos em infra-estruturas, sistemas produtivos e cadeias logísticas, com destaque para o sector agrícola, fortemente afectado pelas perdas de produção.
Impacto humano e económico em larga escala
Os dados mais recentes indicam que quase 870 mil pessoas foram afectadas, com dezenas de milhares de casas destruídas ou inundadas, além de danos extensos em escolas, unidades de saúde e estradas.
O sector agrícola também sofreu perdas significativas, com centenas de milhares de hectares afectados e a morte de mais de 500 mil animais, agravando a pressão sobre a segurança alimentar.
Governo garante monitoria e resposta gradual
Apesar dos desafios, o Executivo mantém uma visão moderadamente favorável para 2026, embora condicionada por riscos internos e externos relevantes.
As autoridades asseguram que estão a monitorar a situação de forma contínua, de modo a adoptar medidas atempadas que permitam estabilizar a economia e reduzir os impactos dos choques actuais.
Energia e logística sob vigilância
O Governo destacou ainda a vulnerabilidade das cadeias de abastecimento de combustíveis, num contexto em que uma parte significativa das importações depende de rotas sensíveis do Médio Oriente.
Com base neste cenário, o Executivo admite a necessidade de ajustes e intervenções estratégicas para garantir a resiliência económica e a estabilidade dos mercados internos nos próximos meses.
Fonte: RTP.